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Bordando gerações: tradição de família faz jovem do interior de SP abrir próprio negócio de bordados


Uma jovem do interior de São Paulo aprendeu a bordar ainda pequena e, inspirada nas mulheres de sua família, decidiu seguir seu sonho e abrir um negócio de bordados.

Iris Gonçalves tem 22 anos e é de Sorocaba (SP). Ela contou ao g1 que vem de uma família de costureiras e artesãs, por isso, desde pequena via a avó e a mãe costurando em casa.

“Muitas das minhas roupas eram feitas em casa. Desde que eu me conheço por gente, vejo-as costurar e isso fez com que me despertasse o interesse e a paixão por isso também, me inspirando nelas”, disse.

Há dois anos, navegando pelas redes sociais, uma tela bordada fez Iris se lembrar da infância dela, quando passava horas ajudando a avó e a mãe a bordar e costurar. Depois disso, ela decidiu que faria aquela tela como uma lembrança e comprou os materiais junto da avó.

Primeira peça que Iris vendeu pela Bordaris  — Foto: Arquivo pessoal

Primeira peça que Iris vendeu pela Bordaris — Foto: Arquivo pessoal

“Eu lembro que, depois de comprar, ela me ensinou e me mostrou como seria aquele bordado. Aquele dia me marcou muito, porque hoje minha avó está doente. Me recordo que foi mais feliz do que se tivesse ido para a Disney”, afirmou.

Iris foi para casa empolgada e fez a tela para uma amiga que já a tinha incentivado a seguir esse sonho. “Antes de fazer essa tela, eu falei para essa amiga que eu queria voltar a fazer bordado, e ela me ajudou. Eu não me achava capaz”, explicou.

A amiga de Iris postou o presente nas redes sociais e, com isso, as pessoas começaram a entrar em contato pedindo um bordado também. Mas, nessa época, em novembro de 2021, a jovem costurava como hobby e ainda não cobrava pelos pedidos. Só que a demanda de presentes começou a aumentar e o cenário mudou.

Primeiro bordado postado por uma amiga da Iris  — Foto: Arquivo pessoal

Primeiro bordado postado por uma amiga da Iris — Foto: Arquivo pessoal

“Uma amiga me pediu uma tela e o valor, só que eu nunca tinha feito curso e não tinha contato com bordadeiras, não sabia muito quanto cobrar. Foi quando eu comecei a ver vídeos, aprendi bastante coisa. Cobrei só o valor do material. Era minha primeira tela vendida, foi a melhor sensação da minha vida, nunca imaginei que isso fosse possível”.

As vendas começaram a deslanchar. A cada bordado feito, eram mais encomendas que vinham. Depois das primeiras telas vendidas, Iris se sentiu segura de cobrar o valor da mão de obra.

Primeiro bordado postado no Instagram da Bordaris — Foto: Arquivo pessoal

Primeiro bordado postado no Instagram da Bordaris — Foto: Arquivo pessoal

“Estava no escritório de um amigo e ele me disse que precisava montar minha loja. Eu não tinha noção se as pessoas iam gostar daquilo, mas ele criou um Instagram. O nome eu já tinha, era algo que eu sonhava. Com isso, começou outro processo”.

No dia 1º de fevereiro nasceu a “Bordaris”, uma rede social na qual Iris compartilha o seu trabalho. Na primeira postagem, ela destaca o significado do bordado em sua vida.

“Assim como ele borda a minha história, colocou em meu coração o desejo de bordar outras histórias e cá estou eu! Virei uma bordadeira! Os bordados me ensinaram muito sobre a jornada da vida e sei que isso é só o começo. Estou bordando histórias, em especial a minha. Uma jovem de 22 anos, que encontrou prazer em uma caixa de agulhas e linhas”.

Tendo a família como primordial, Iris esbanja amor ao falar de seus entes queridos. Ela conta que os pais e a avó são considerados base e maior inspiração.

Avó e mãe da Iris  — Foto: Arquivo pessoal

Avó e mãe da Iris — Foto: Arquivo pessoal

“Minha mãe sempre está muito presente, a gente poder trabalhar junto é bem gostoso. Essa troca de mãe e filha é muito bom. Os momentos que a gente está na máquina de costura, a gente nem precisa falar nada. Com a minha avó longe, tem sido muito difícil. Fiz uma tela em homenagem a ela. Ela sempre acreditou em mim, ficava comigo no sofá, e via comigo. Agora, quando eu vou no hospital com ela, eu levo uma tela para bordar. São memórias muito boas, por mais que tenha sido difícil”.

Uma coisa que Iris aprendeu com as mulheres da sua família é que bordar é muito mais que formar linhas com agulhas e uma tela, é uma história a ser contada.

“Minha família é tradicional, temos muitas tradições e, com isso, muitas memórias. Sentar na varanda bordar com elas [mãe e a avó] é uma historia, são memórias”, afirma.
Eco bag bordada por Iris  — Foto: Arquivo pessoal

Eco bag bordada por Iris — Foto: Arquivo pessoal

Como Iris diz, “todo mundo tem uma história que pode ser bordada”. O processo de criação de um bordado começa entrando em contato com ela pelas redes sociais. A jovem manda algumas perguntas para a pessoa para saber qual a ideia principal e o que ela quer.

“Ela me conta a história que ela quer passar, eu mando referências que podem se encaixar e vamos construindo uma história juntas. Depois da análise, eu mando o orçamento. Cada peça tem um prazo e, dependendo do pedido, vou mandando para a cliente. Quando é uma foto, eu mando para um design e mando para aprovar ou eu mesma faço a arte”.

Camiseta mais vendida da Bordaris — Foto: Arquivo pessoal

Camiseta mais vendida da Bordaris — Foto: Arquivo pessoal

Para Iris, o bordado não tem limite, ela faz pedidos de casamento, tela maternidade, eco bags, tênis, camisetas, quadrinhos bordados, chaveiros. “O meu nicho é contar histórias”, explica.

Iris começou trabalhando no mercado financeiro com 14 anos  — Foto: Arquivo pessoal

Iris começou trabalhando no mercado financeiro com 14 anos — Foto: Arquivo pessoal

A história profissional de Iris começou muito antes da Bordaris existir. Ainda na escola, com 14 anos, ela entrou em uma instituição financeira e acabou crescendo na empresa.

“Não sabia o que ia fazer depois da escola, nada me brilhava os olhos. Eu ajudava meus pais e, nesse tempo, eu fiz intercâmbio, depois comecei a trabalhar em uma loja de roupas. Na época, eu falei para minha mãe que queria continuar trabalhando e foi aí que ela me inscreveu no Jovem Aprendiz”.

Começando na área do RH da empresa, Iris passou por todas as áreas do banco e, com 18 anos, foi para o comercial, para agência. Lá ela trabalhou como caixa, agente comercial e chegou a ser a gerente mais nova do banco.

“Eu nunca amei, mas eu aprendi a gostar da profissão. Mas eu conseguia me sustentar, já morava sozinha em São Paulo. Fiz faculdade de psicologia, mas tranquei, mesmo gostando, não tinha nada a ver com a minha profissão. Então, fui fazer gestão financeira. Eu não amava ficar no banco, eu me sentia um peixe fora d’água”.

No ano de 2018, os pais de Iris vieram para Sorocaba e ela acabou ficando sozinha na capital. Após um ano decisivo e de muito trabalho, ela decidiu sair do banco e vir para perto da família.

“Nesse tempo em Sorocaba, eu comecei a atuar na área de gestão financeira. Era muito gostoso, eu conseguia ser verdadeira e comecei a trabalhar com pessoas, mas ainda não era o que eu amava. Estávamos na pandemia, era o que me sustentava, mas não era algo que brilhava em mim”.

Foi então, no ano passado, que ela tomou a decisão de seguir o seu sonho: o bordado. Ela já estava fazendo os bordados e, depois de dois anos de pandemia, tinha conseguido trabalhar em uma empresa de gestão com um salário maravilhoso. Mas ela não estava feliz.

Jovem do interior de SP abre próprio negócio de bordados — Foto: Arquivo pessoal

Jovem do interior de SP abre próprio negócio de bordados — Foto: Arquivo pessoal

“Eu tinha vindo pra Sorocaba, era um feriado, aí eu liguei para o meu chefe e disse que não voltava mais. Eu senti que poderia ser feliz com meu trabalho, os bordados. Ele riu da minha cara e debochou do que eu fazia: ‘aqueles bordadinhos que você faz? É isso que você quer?’. Eu sabia que estava fazendo a coisa certa e fui impulsiva, mas aquilo me deu uma paz”.

Com três meses de Bordaris, Iris conta que já ganha o equivalente ao que ganhava na última empresa que trabalhou.

“Quando as pessoa veem alguém fazendo um trabalho manual, tendem a pensar que não vai dar certo, mas dá sim. Hoje é total Bordaris, é incrível”, disse.



Fonte: G1


08/05/2022 – Objetiva FM

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