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'Falou que ia cortar o dedo da mão dele', diz testemunha que teve primeiro contato com menino torturado pelos pais em Itu


“[Ele] vinha sofrendo havia muito tempo, não estava aguentando. Nisso, o pai dele falou que ia cortar o dedo da mão dele, estava amolando o facão para cortar porque ele pegou R$ 4. Falei ‘não, é impossível um negócio desse aí'”, contou à TV TEM.

Em relato às pessoas que o encontraram, o garoto contou que apanhava havia cinco anos e que era enforcado com um fio. Além disso, disse que já foi atingido por um facão e por água de bateria de carro, o que causou uma falha no cabelo dele.

Segundo a testemunha, a criança também contou que o pai o levava para um local perto da linha do trem da cidade para agredi-lo.

“Fazia uma bola de meia e colocava dentro da boca dele e batia nele com fio, com cabo de enxada. A mãe dele também batia nele”, diz.
Testemunha conta como foi primeiro contato com menino agredido pelos pais em Itu

Testemunha conta como foi primeiro contato com menino agredido pelos pais em Itu

  • Polícia pede prisão dos pais do menino resgatado
  • Mãe já foi presa por suspeita de matar filho mais novo

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer saber se houve negligência no caso, já que, em 2020, o Conselho Tutelar recebeu uma denúncia de maus-tratos contra o menino e, em 2013, a mãe chegou a ser presa por suspeita de matar o filho mais novo, de apenas um ano. Nesta ocasião, o menino resgatado na última segunda-feira também apresentou hematomas pelo corpo.

Para a integrante da comissão Carmem Renata Fulaz, houve um erro geral, tanto por parte do poder público, como por parte dos munícipes, por omissão. A comissão também pediu ao Ministério Público para solicitar na Justiça a retirada das imagens da criança da internet.

“Vai ter que ser apurado. A criança frequentava escola. É uma situação que ele teria medo de falar, mas, com o vídeo divulgado no final de semana… As cicatrizes dele, os hematomas são tão evidentes que ele estava sofrendo maus-tratos, tortura dentro de casa ou de qualquer outro local”, afirma.

Ministério Público analisa denúncia

Na terça-feira (3), a Polícia Civil pediu a prisão dos pais do garoto. Segundo o delegado de Itu, o pedido foi encaminhado para ser validado pelo judiciário. A prisão preventiva foi qualificada como tortura, lesão corporal e abandono de incapaz.

O Ministério Público recebeu o pedido na quarta-feira (4) e, desde então, analisa a denúncia. Depois disso, a Justiça vai decidir se acata ou não o pedido de prisão preventiva do casal, que ainda não foi encontrado.

Segundo a criança, o pai o obrigava a mentir sobre os ferimentos. O caso ganhou proporções após ele contar a um amigo, que revelou o caso no bairro.

O Conselho Tutelar foi até o local indicado depois de receber a denúncia para resgatar a criança, que agora está em um abrigo e, em breve, deve ser ouvida pelo delegado responsável pelo caso na presença de um conselheiro.



Fonte: G1


05/05/2022 – Objetiva FM

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