NOTÍCIAS


Saiba como denunciar casos de violência contra a mulher e conseguir ajuda especializada


Em entrevista ao g1, a presidente do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Sorocaba (SP), Emanuela Barros, a Lei Maria da Penha não se restringe à violência doméstica contra a mulher maior e capaz, mas abrange a violência familiar da qual podem ser vítimas as crianças e idosas.

“As redes sociais são extremamente úteis contra a violência doméstica. Muitas vezes, as mulheres que estão em casa, sem acesso ou às vezes em cárcere privado, vivendo um relacionamento abusivo, é através das redes que elas pedem ajuda”, explica.

Já a presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da OAB Sorocaba, Adriana Mazarino, afirma que é importante identificar em que momento do ciclo da violência a mulher está inserida.

“Apesar de a violência doméstica ter suas peculiaridades em cada caso, identificou-se que a violência ocorre em ciclos. Existe a fase de aumento da tensão, na qual os comportamentos de agressividade podem iniciar, tem a fase de explosão, na qual a violência se materializa e, depois, a fase do arrependimento”, diz.

Adolescente usa jogo online para pedir socorro e denunciar agressões em Jundiaí

Adolescente usa jogo online para pedir socorro e denunciar agressões em Jundiaí

Ela lembra que, na fase inicial, a vítima consegue buscar respaldo de serviços especializados, como a Delegacia da Mulher, conselhos e entidades de defesa da mulher.

“Ela tem um tempo maior para buscar ajuda. Na fase de explosão, no qual o risco é iminente, nós orientamos o acionamento do 190. Tem a possibilidade de acionar o 180, mas o 190 da Polícia Militar é mais rápido, mais eficaz.”

Essas orientações, de acordo com ela, são para os tipos de violência doméstica e familiar, e cabem também para os relacionamentos na fase de namoro.

  • Compartilhe no WhatsApp
  • Compartilhe no Telegram

A situação fica mais grave em algumas situações. “O cárcere já é a materialização da violência, fase de explosão do ciclo de violência. Ou seja, há um alto risco de feminicídio”, explica.

Ela lembra ainda que é importante conseguir identificar as condutas abusivas dentro dos relacionamentos para que a mulher entenda que sofre violência e possa buscar ajuda.

“Muitas vezes, a mulher não se sente segura em contar o que se passa nos relacionamentos, por isso, debater sobre violência de gênero nas escolas é fundamental”, termina.

Prints mostram mensagens de adolescente que pediu socorro em jogo online em Jundiaí (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Prints mostram mensagens de adolescente que pediu socorro em jogo online em Jundiaí (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Prints mostram as mensagens que a adolescente de 17 anos enviou, por meio de um jogo online de ludo, para pedir socorro após ter sido agredida pelo namorado. O caso foi registrado no Jardim Novo Horizonte, no dia 26 de abril. O suspeito das agressões foi levado à delegacia no dia da ocorrência, onde foi ouvido e liberado.

O g1 teve acesso às mensagens, que foram enviadas a uma outra integrante, no chat do próprio jogo. Na conversa, a vítima pede ajuda e diz que não pode ligar para a polícia (leia acima).

Em seguida, a conversa segue no aplicativo WhatsApp. A jovem conta que o namorado batia nela todos os dias e que fazia ameaças de morte, mas diz que a polícia não acreditaria nela.

“Ele mim ameaça. Se eu for embora, ele mim mata. Ele mim bate todo dia”, relata ela nas mensagens.

Preocupada, a outra integrante fez diversas perguntas à jovem, como “onde ela morava”, “se o namorado estava junto” e “se ela tinha outro lugar para ir”.

“‘Vc tem q gritar quando a polícia chegar”, diz a jovem.
Violência contra mulher: como pedir ajuda

Violência contra mulher: como pedir ajuda

No dia 26, a Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima sobre violência doméstica. Segundo a denúncia, a vítima havia pedido socorro pelo jogo após relatar agressão e cárcere privado pelo namorado, de 24 anos. A garota também indicou a localização da casa do suspeito.

Quando a PM foi até o imóvel, encontrou a jovem com vários hematomas pelo corpo e rosto. Ela contou que mantinha um relacionamento afetivo e que morava com o namorado havia cinco meses, que era agredida frequentemente e que recebia ameaças quando tentava terminar a relação e voltar para a casa da mãe.

Após atendimento médico, o caso foi encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde a mãe da jovem contou que era aterrorizada pelo rapaz havia tempos, e não havia registrado boletim de ocorrência anteriormente pois ele ameaçava tirar a vida da filha dela caso a polícia fosse chamada.

Um exame de corpo de delito foi pedido. O rapaz foi ouvido e solto. Ele pode responder por violência. A Polícia Civil investiga o caso.

Após a denúncia, a Justiça concedeu medida protetiva para a mãe e para a filha no dia 27 de abril.

Ao g1, a mãe da adolescente contou que, no começo do namoro, o rapaz era tranquilo, mas foi mudando ao longo do tempo e, de cinco meses para cá, a agressão verbal dele contra a vítima passou para física.

“Foi ficando complicado. Ele invadiu a casa onde eu moro com uma faca, fez minhas duas filhas e uma parente minha tudo refém dentro de um quarto, isso há uns três meses”, diz a mãe.

A mãe ainda relatou as constantes ameaças de morte que recebeu do parceiro da filha e que até pensou em registrar um boletim de ocorrência.

“Ele falou: você vai escolher, ou você quer a sua filha viva ou você dá queixa e eu mato ela e me mato que não dá nada. Foi acontecendo, e eu não sabia mais o que fazer. Ele não deixava ela sair, ele bloqueava e ela ia para a minha casa fugir. Era um tormento, era uma tortura. Ele queria manter ela por perto”, conclui.

“Ela não dorme, ela não está se alimentando, ela está com medo, todo barulho ela pensa que é ele novamente batendo na porta e entrando. Eu não sei nem o que falar.”



Fonte: G1


03/05/2022 – Objetiva FM

SEGUE A @OBJETIVAFM107.5

(15) 99838-4161

producao@objetiva107.com.br
Buri – SP

NO AR:
CHARME